Histórico da raça Rottweiler

O Rottweiler é mais antigo do que muitos imaginam. Sabe-se que a raça existe há mais de 2.000 anos e descende de molossos do tipo Mastiff. Mais precisamente, o Rottweiler é fruto do cruzamento dos antigos Mastins do Tibet (Mastim Tibetano ou Dogue do Tibet), com cães nativos da região. Até hoje, mesmo depois de mais de 2 milênios, algumas características não aceitas no Padrão do Rottweiler aparecem esporadicamente em filhotes que têm gerações e gerações controladas, como uma mancha branca no peito e a pelagem mais longa (características do Mastim do Tibet). Esses cães não devem ser usados na Reprodução (sendo eternamente fiéis companheiros e guardiões), mas são a prova viva da força de sua genética.

Por volta do ano 74 D.C., a XI Legião Romana realizou uma bem sucedida invasão onde é hoje o sul da Alemanha, às margens do Rio Neckar. Nesta incursão, como era normal em tempos desprovidos dos modernos meios de conservação de alimentos, utilizavam cães, cujo trabalho de pastoreio do gado (utilizado como alimento para as tropas), guarda de acampamentos e de prisioneiros era importantíssimo. Atravessar os Alpes com rebanhos era uma tarefa muito difícil e certamente por essa razão teria sido os cães a melhor opção para tão árdua tarefa.

Os Rottweilers surgiram numa cidade conhecida pelos Romanos como Arae Flaviae, importante centro administrativo e social, fundado cerca de dois séculos antes de Cristo. Com a ocupação, a cidade transformou-se e desenvolveu-se ainda mais.

Com o tempo, a cidade ascendeu à condição de vila fortificada e os seus prédios mais importantes foram cobertos de telhas feitas artesanalmente de cor vermelha, por essa razão passou a ser denominada de Rotwill (Vila Vermelha), que com o tempo se alterou para Rottweil, como hoje é conhecida.


Entre 250 e 260 D.C., os Romanos foram expulsos dessas paragens por tribos locais, que destruíram os edifícios existentes. Deixados para trás, ficaram alguns cães, que treinados para defender as suas casas até o limite, devem ter morrido. Os poucos sobreviventes foram envolvidos nas atividades de criação de gado e apoio a outros serviços.

A vila de Rottweil rapidamente se tornou num próspero centro de mercadorias e centro cultural, atraindo negociantes de gado, fazendeiros e comerciantes em geral, de distâncias consideráveis para ali realizarem os seus negócios. Esses homens notaram desde logo a utilidade e as capacidades dos cães de carniceiro (açougueiro) de Rottweil – Metzgerhund Rottweil – como a raça era na altura conhecida, e começaram a comprá-los.

Um ou dois cães constituíam uma necessidade, não apenas para auxiliar na condução do gado, mas também para assegurar o regresso com o dinheiro resultante dos negócios, para o qual não existia local mais seguro do que amarrado à coleira dos cães (quem seria o maluco de tentar tirar o dinheiro de lá?).

Tudo isso levou a um crescente respeito e interesse pelos cães de açougueiro, razão pela qual os criadores locais começaram a cruzá-lo seletivamente. A origem do nome Rottweiler (cão de Rottweil, em Alemão) tal como conhecemos hoje, deveu-se à necessidade de distinguir os cães que eram considerados de capacidades superiores aos outros do seu tipo existentes na região.

Nessa altura o Rottweiler era útil para a condução do gado, puxar pequenos carros com tambores de leite e outras pequenas cargas (serviços de tração). Assim continuou até meados do século XVIII, altura em que o Governo Alemão implementava a rede de linhas férreas. A tecnologia trouxe meios mais baratos e rápidos para transportar mercadorias. Foi proibida a condução de gado, como até aí era feita favorecendo o transporte por comboio, ficando o Rottweiler com a sua utilidade muito reduzida.

Uma característica comum à raça é a facilidade e tendência natural em pular, herança do tempo em que era utilizado para pastorear gado, pois tinham que se esquivar de investidas do gado, além de mantê-los reunidos. Por isso o Rottweiler possui uma característica ímpar, que é o "salto lateral", onde o cão salta lateralmente com as quatro patas. Essa esquiva era fundamental para escapar de chifradas e coices do gado. Atualmente, é uma defesa excepcional contra chutes de pessoas, por exemplo. A tendência a saltar ocorre quando o Rottweiler "pastoreia", no dias de hoje, uma criança, um adulto ou outros animais de estimação da casa. Por isso, ele pode, mesmo sem a intenção de machucar, derrubar uma criança pequena ou um idoso, durante seu "pastoreio", com seus pulos. A raça é muito forte para o seu tamanho, um cão adulto pode facilmente derrubar uma pessoa, mesmo durante uma brincadeira. Por isso, não de deve deixá-lo sozinho com crianças muito pequenas (aliás, nenhum cão médio ou grande deve ser deixado só com uma criança pequena) e ter um cuidado maior quando em contato com pessoas muito idosas.

Com a perda de utilidade, a popularidade do Rottweiler decresceu, ao ponto de no final do século 19 quase ser extinto. Mas em 1882, surge o primeiro registro de um Rottweiler apresentado numa exposição canina, em Heibronn.

A renovação e o reaparecimento da raça aconteceu no norte da Alemanha, do lado oposto de onde tinha surgido inicialmente, no início do ano de 1900 quando o Rottweiler, devido às suas capacidades e características, despertou a atenção da polícia Alemã. No ano de 1910 foi reconhecido como cão de polícia, tendo desempenhado de forma tão exemplar as suas funções que a própria polícia começou a criação desta raça. Graças às suas qualidades físicas, elevada inteligência, seu caráter firme, temperamento forte e sua coragem frente ao perigo, o Rottweiler se tornou o parceiro ideal para o serviço policial. Foi esta medida a responsável pelo reaparecimento do Rottweiler.


O primeiro Clube da Raça

O primeiro Clube da Raça foi o Deutcher Rottweiler Klub (DRK), fundado em Heidelberg, em 13 de Janeiro de 1907, levando muitos a considerarem esta localidade como a de surgimento do “moderno” Rottweiler. O DRK era filiado na Associação Alemã de Cães da Polícia e tinha como objetivo principal defender e manter as capacidades da raça com cão de trabalho.

No mesmo ano e devido a desentendimentos internos entre membros do DRK, surge também na Alemanha um novo clube, o Internacional Rottweiler Klub (IRK), estando este mais vocacionado para a beleza da raça como um cão de exposição.

A fusão entre os dois clubes existentes aconteceu no dia 03 de Julho de 1921, formando o Allgemeiner Deutscher Rottweiler Klub (ADRK), com a finalidade de unir esforços para defender os interesses da raça, sendo atualmente o maior clube da raça no mundo, tendo como lema: “Criação de Rottweiler é criação de cães de trabalho”. O ADRK é considerado por todos como a entidade máxima responsável pelo desenvolvimento e conservação das características da raça.


Popularidade do Rottweiler

Com tantas virtudes, o Rottweiler logo conquistou admiradores pelo mundo. Chegou aos Estados Unidos da América ainda na década de 30, sendo reconhecido pelo American Kennel Club em 1935. E conquistou também o mais antigo clube cinófilo do mundo, o The Kennel Club, na Inglaterra, em 1936.

O Rottweiler chega na América em 1928, desembarcando nos E.U.A. Em 1930 nasce a primeira ninhada americana. O AKC reconheceu a raça em 1931.

No Brasil o Rottweiler só chegou em 1967, trazido da Alemanha para o Rio de Janeiro por Dimiter Petroff. O primeiro exemplar foi um macho chamado Astor von der Wesfallenstube, que não chegou a reproduzir. Mas foi só em 1972, no canil Alcobaça, que nasceu o primeiro exemplar nacional, Aca do Alcobaça. Hoje os mais importantes centros de criação situam-se nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A região nordeste tem crescido muito em qualidade nos últimos tempos.

Desde então o Rottweiler foi intensamente importado principalmente da Alemanha, e já foram registrados mais de 200.000 filhotes da raça aqui no Brasil. Só no ano de 1997 foram registrados por aqui 26.000 filhotes, ou seja, de cada 5 filhotes registrados, pelo menos 1 era de Rottweiler. Para controlar e manter a qualidade, estes números são assustadores, pois na Alemanha em 96 anos de existência de Clube foram registrados apenas 108.000 filhotes. Na Alemanha os cães não podem acasalar sem que cumpram um rígido regulamento de criação, e somente os aprovados em todos os quesitos poderão gerar filhotes com pedigree.

Ser um cão "da moda" tem levado à degeneração da raça no país, o que preocupa criadores e admiradores do Rottweiler. Pois estar "na moda", a raça atrai "fabricantes de cães", de olho no lucro fácil da venda de filhotes, deixando de lado a diretriz fundamental de qualquer criador sério: "Produzir filhotes com qualidade e dentro do Padrão, buscando o aprimoramento da raça".

Fonte: ADRK/FCI

 
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